terça-feira, 23 de setembro de 2014

Aviação doméstica retoma crescimento no pós-copa

Depois de um primeiro semestre com variações atípicas e uma movimentação durante a Copa praticamente estável em relação ao ano passado, a demanda por transporte aéreo doméstico em agosto registrou alta de 5,9% sobre o mesmo mês de 2013. A taxa ficou próxima daquela registrada para o acumulado dos oito meses desse ano, que é de 5,6%. Os números são relativos ao desempenho das empresas integrantes da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (ABEAR), AVIANCA, AZUL, TAM e GOL.

“São dados positivos porque podem indicar que nem toda a reprogramação de viagens do ano ficou concentrada no primeiro semestre”, afirma Eduardo Sanovicz, presidente da ABEAR. Até antes da Copa do Mundo o setor registrou taxas crescimento acima do normal, inclusive em meses de baixa atividade, como fevereiro, março e abril. O fenômeno foi associado especialmente a um adiantamento dos compromissos de negócios desse ano para evitar a concorrência com o público da Copa por passagens, hospedagem e serviços em geral.

Em números absolutos, a demanda doméstica em agosto passou de 7,2 bilhões de RPKs (passageiros-quilômetros transportados) para 7,6 bilhões de RPKs. A oferta da indústria seguiu controlada, sendo reduzida em 0,9% no consolidado, passando de 9,7 bilhões de ASKs (assentos-quilômetros oferecidos) para 9,6 bilhões ASKs. Como resultado, o Load Fator (taxa de ocupação, relação entre a oferta e a demanda) avançou 5,1 pontos percentuais em um ano, atingindo 79,3%.

“Essa taxa de ocupação é recorde para o mês de agosto, que normalmente é um mês mais fraco na sazonalidade do setor. Isso considerando não somente os números da ABEAR, mas toda a série histórica da ANAC. É algo muito positivo, que mostra a eficiência da indústria, que se aproxima gradualmente dos níveis dos Estados Unidos, mercado maduro e referência global”, interpreta o consultor técnico da ABEAR Maurício Emboaba. “Em 2009, os aviões voavam no Brasil com 66% de sua capacidade, enquanto as companhias norte-americanas mantinham 81% dos seus assentos ocupados. No consolidado até julho deste ano, a taxa média passou para 80% nas empresas brasileiras e 85% para as norte-americanas”, informa o especialista, comentando a trajetória recente.

Os passageiros embarcados em agosto pelas associadas ABEAR somaram 6,7 milhões, total 4,1% superior a 2013. No mês, pelo critério da parcela de RPKs, a TAM liderou o mercado com 39,1% de participação, seguida pela GOL, com 35,6%, pela AZUL, com 16,3%, e pela AVIANCA, que atingiu 9%.

Acumulado 2014 – De janeiro a agosto, conforme mencionado, a demanda doméstica registra alta de 5,6% sobre o mesmo período do ano anterior. A oferta total tem ligeira retração, tendendo à estabilidade, de 0,5%. A taxa de ocupação do ano permanece em 79,6%, com melhoria de 4,6 pontos percentuais. Somam 52,4 milhões os passageiros embarcados nos voos domésticos.

Totais móveis – A avaliação de 12 intervalos dos totais móveis (séries consolidadas de resultados de 12 meses, registradas mês a mês) projeta nesse momento uma taxa anualizada de demanda em alta de 6%, para uma oferta com pequeno crescimento de 0,8%.

Internacional – O mercado internacional apresentou um crescimento surpreendente para o mês de agosto, bastante acima da taxa do segmento doméstico. A demanda teve alta de 14,7% (saltando de 2,2 bilhões de RPKs para 2,6 bilhões de RPKs). A oferta também foi ampliada em 5,2% para atender o mercado (passando de 2,9 bilhões de ASKs para 3 bilhões de ASKs).

Com a demanda crescendo mais que a oferta, a taxa de ocupação experimentou avanço de 7,1 pontos percentuais, ficando em 85,3%. “Diferentemente da taxa da aviação doméstica, esse aproveitamento dos voos internacionais é recorde não somente para o mês de agosto na série histórica, mas para qualquer mês do registro. Superou, inclusive, os 85,1% do mês passado, melhor desempenho até então, mas mais natural para um mês forte, normalmente de férias”, destaca Emboaba.


GOL, com 15,3% de participação de mercado (parcela do total de RPKs) em agosto e TAM, com 84,7%, são as únicas companhias nacionais operando voos internacionais atualmente. As duas transportadoras embarcaram juntas 433 mil passageiros no mês, 12,1% a mais do que em agosto de 2013.

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