terça-feira, 27 de outubro de 2015

DEMANDA DOMÉSTICA CAI PELO SEGUNDO MÊS CONSECUTIVO E RECUA 0,8% EM SETEMBRO

demanda1 por transporte aéreo doméstico teve, em setembro, o segundo mês consecutivo de queda. Depois de recuar 0,6% em agosto, a retração chegou a 0,8% em setembro em relação ao mesmo mês do ano passado. Nesse cenário de desaquecimento do mercado, aoferta2 foi ajustada aos níveis atuais de procura pelos serviços oferecidos pelas companhias, sendo reduzida em 1,9% no período. Como resultado, o fator de aproveitamento3 das operações registrou melhoria de 0,9 ponto percentual, ficando em 79,58% no mês. O total de passageiros transportados em setembro foi de 7,8 milhões, 1,8% de acima do mesmo mês do ano anterior. Os números são a compilação das estatísticas fornecidas pelas companhias aéreas integrantes da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (ABEAR).

“Os impactos da retração econômica aparecem claramente. Após uma série de avanços muito pequenos, e agora de duas quedas na demanda mensal, o crescimento acumulado também tem caído”, detalha Eduardo Sanovicz, presidente da ABEAR. “Em janeiro, quando divulgamos o crescimento de quase 6% em 2014, evitamos fazer previsões para 2015 porque sabíamos que essa seria uma temporada complicada, dependendo muito das variáveis de PIB e tarifas. Ela se revelou bem pior que isso”, relata o executivo.


Há cerca de um mês a ABEAR apresentou à sociedade um diagnóstico que evidencia o momento preocupante para a aviação. Ele mostra como a alta acentuada do dólar fez subir fortemente os gastos com combustível e contratos de leasing e manutenção, que representam 60% do total de custos. Aponta também como aumentos importantes de outros itens, como taxas públicas e tarifas aeroportuárias e aeronáuticas, completam a lista de custos em alta.

De acordo com o estudo, com o cenário desenhado para o restante de 2015, com o câmbio próximo de R$ 4,00/US$, os custos do setor devem fechar o ano disparando mais de 20%, para receitas avançando pouco mais de 3%. Esse quadro levaria o setor a um resultado operacional negativo recorde para as empresas brasileiras de aviação, na casa de R$ 7 bi.

Essas perspectivas têm sido apresentadas às autoridades juntamente com uma lista de medidas que poderiam reduzir as distorções que comprometem a competitividade da aviação brasileira no ambiente global, tais como a alteração da fórmula de precificação do combustível de aviação, da tributação sobre o insumo, a revisão de aumentos tarifários e de outros aspectos regulatórios.


Participação de mercado4 – Com 37,40% de market share, a TAM capturou a maior parcela da demanda doméstica no mês. Foi seguida pela GOL, que teve 34,36% de participação, pela AZUL, com 17,78% e pela AVIANCA, com 10,46%%.

Acumulado – Ao final do terceiro trimestre de 2015, a aviação doméstica acumula no ano uma oferta com 2,38% de crescimento para uma demanda avançando 3,32%. Com efeito, o fator de aproveitamento teve ligeira alta, de 0,73 ponto percentual, ficando em 80,24%. Já são 71,5 milhões de passageiros transportados até o momento, crescimento de 2,94% sobre os mesmos nove meses de 2014.

Internacional – No mercado internacional, do qual as associadas ABEAR respondem por cerca de 1/3 do total (a maior parcela é detida pelas empresas estrangeiras, o que limita a análise), as estatísticas seguem refletindo a diferença das bases de comparação. Os números de 2015 incorporam o aumento da competição resultante do início das operações da AZUL em dezembro de 2014.


Nesse segmento, a oferta avançou 20,50% no mês, para uma demanda que cresceu menos, 14,37%. A oferta superior à demanda levou à queda do fator de aproveitamento das operações, baixando 4,41 pontos percentuais para 82,25%. Foram contabilizadas 632 mil viagens internacionais no mês, total 16,75% acima de setembro do ano passado.

A participação do mercado internacional entre as associadas ABEAR ficou dividida da seguinte forma: TAM – 79,93%; GOL – 13,10%; AZUL – 6,91%. A AVIANCA teve participação inferior a 1%.

No acumulado do ano, a oferta registra alta de 16,35% e, a demanda, de 14,70%. Com isso, o fator de aproveitamento apresenta retração de 1,17 ponto percentual, caindo a 81,38%. O total de passageiros transportados chega a 5,5 milhões, avançando 16,21% no período.

Cargas – No mercado de cargas, que inclui as estatísticas de TAM CARGO juntamente com as de AVIANCA, AZUL, GOL e TAM consideradas no negócio de passageiros, o segmento doméstico registra 28,5 mil toneladas de bens movimentados em setembro. O número é 9,72% inferior ao registrado em setembro de 2014. No internacional, a quantidade foi de 16,1 mil toneladas transportadas no mês, alta de 15,61%.

Nos nove meses de 2015 a carga doméstica transportada soma 242,7 mil toneladas (-8,73%), enquanto a carga internacional fica pouco acima de 129 mil toneladas (+5,26%).

FONTE: ABEAR,

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