quinta-feira, 6 de junho de 2013

Tese expõe como Azul fez Viracopos decolar

Tese expõe como Azul fez Viracopos decolar

Dados respaldam que volume de passageiros cresceu mais de 700% em apenas quatros anos
A recente história do Aeroporto Internacional de Viracopos passou por uma profunda transformação a partir da entrada da Azul Linhas Aéreas no mercado nacional.
Do acanhado terminal esquecido para transporte de passageiros, Viracopos entrou na vitrine do setor - e agora compõe o sistema que atenderá a demanda durante a Copa do Mundo de 2014.
Uma tese de doutorado defendida este ano no Instituto de Economia (IE) da Unicamp traça um perfil dessa história - uma “dobradinha” entre a companhia e o terminal que deu certo e gerou ganhos para ambos.
O texto aborda os dois lados da moeda: um, a importância da empresa para impulsionar os negócios do aeroporto e reativá-lo para o transporta de passageiros; e outro, as oportunidades que o terminal ofereceu para que a nova companhia pudesse enfrentar um mercado dominado por duas outras empresas: TAM e Gol - que predominavam no segmento até 2008.
O estudo foi produzido pelo pesquisador do Núcleo de Estudos em Competição e Regulação do Transporte Aéreo (NECTAR) do Instituto de Tecnológico da Aeronáutica (ITA), Humberto Filipe de Andrade Januário Bettini, e teve a orientação do professor José Maria Ferreira Jardim da Silveira.
Os dados que respaldam a tese mostram que em apenas quatro anos o volume de passageiros em Viracopos saltou de 1 milhão para 8,8 milhões (em 2012) - mais de 700%, um número verdadeiramente espantoso, ainda mais levando em conta que, segundo as análises do economista, a participação no total de passageiros domésticos transportados no País subiu de 1% para 5%.
A tese também apontou que as operações de pousos e decolagens passou de 24 mil para 106 mil, e o movimento de aeronaves saltou de 1,2% para 3,8% do total do sistema da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero).
O pesquisador afirma que a estratégia da Azul Linhas Aéreas Brasileiras mostrou-se eficaz ao apostar em um aeroporto com alto potencial de público e baixa ocupação de slots (vagas para pousos e decolagens).
O crescimento econômico experimentado pelo Brasil no momento de entrada da companhia no mercado, no final do ano de 2008, também ajudou.
“Outro fator positivo foi a possibilidade de a companhia conseguir, a partir de Viracopos, criar uma malha que atendesse ponto a ponto vários destinos no País. Os aviões da frota também foram muito bem dimensionados para atender os mercados definidos pela empresa”, diz, destacando a visão precisa do mercado e do seu potencial demonstrada pelo empresário norte-americano David Neeleman, dono da companhia.
Entrada
Bettini comenta que a entrada de uma nova empresa no mercado de aviação é sempre um tema de interesse, porque trata-se de um segmento que requer investimentos muito altos, o que não favorece o surgimento de novas marcas.
“Tanto que, nos últimos dez anos, apenas duas empresas entraram no mercado de voos domésticos no Brasil”, pontua, lembrando que as duas companhias que já estavam no mercado - TAM e Gol - concentravam suas operações nos aeroportos de São Paulo (Congonhas e Cumbica).
“Num primeiro momento, a Azul quis entrar no mercado nacional por Santos Dumont, no Rio de Janeiro. Houve até uma batalha nos bastidores para derrubar as restrições que impediam a distribuição de novos slots lá. Mas a empresa estava decidida a começar suas operações no final de 2008, então não podia perder mais tempo e decidiu vir para Viracopos”, lembra.
O que, conclui, foi uma excelente escolha. “Dificilmente a companhia não teria conseguido, com a mesma rapidez que conseguiu, atingir tantos destinos, números de passageiros e espaço no mercado se tivesse começado pelo aeroporto carioca. Simplesmente não havia espaço nem em pátio para abrigar a quantidade de aeronaves operas hoje pela Azul”, diz.
Tática
O pesquisador avalia que a estratégia utilizada pela companhia para conquistar os consumidores também surtiu efeito no processo de entrada no mercado nacional.
“A Azul apresentou um modelo de serviço de qualidade, utilizando aviões novos e tarifas iniciais promocionais. A estrutura de custos é baixa porque a frota é nova”, afirma, lembrando que a empresa ofereceu inicialmente preços que atendiam a demanda de vários perfis de público.
“Uma outra vantagem é que a Azul criou uma malha com várias conexões passando por Campinas. A companhia ganhou musculatura”, ressalta.
A fusão com a Trip Linhas Aéreas ampliou o posicionamento da marca em mercados mais complexos a serem explorados com os equipamentos da frota. “As duas empresas complementaram a malha aeroviária a partir da fusão. A Trip opera linhas que atingem regiões mais interioranas do País, principalmente no Centro-Oeste e no Norte, onde o crescimento da demanda por transporte aéreo nessas regiões cresce no rastro da expansão do agronegócio”, diz.
Efeitos
O pesquisador comenta que a chegada da Azul transformou Viracopos. O terminal, que tinha uma vocação cargueira, passou a reviver os tempos em que era o principal ponto de embarque e desembarque do Estado.
E, enquanto os grandes terminais da Capital têm gargalos para ampliar a sua infraestrutura, Viracopos ainda tem como crescer. “O aeroporto deu à Azul a oportunidade que ela precisava para entrar e crescer no mercado. Em troca, a Azul deu a Viracopos um novo fôlego, fazendo com que ele voltasse a ser importante dentro do sistema aeroportuário nacional”, afirma.
O diretor de Operações da Concessionária Brasil Viracopos, Marcelo Mota, comenta que inegavelmente a companhia aérea transformou o aeroporto.
“A Azul colocou Viracopos novamente no mapa do setor aeroportuário brasileiro. A companhia teve um papel fundamental para o crescimento do aeroporto. Foi exatamente em decorrência da necessidade de investimentos no aeroporto que ocorreu a concessão”, diz.
Fonte: Correio Popular

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